Thursday, May 28, 2009

Eu e a Reciclagem



Reciclar ou não reciclar, eis a questão:

Não penso que o comum das pessoas se deva preocupar em demasia com reciclagens só porque vem a televisão e diz.


E o que diz a televisão, afinal?

Massacra-nos com propaganda sobre devermos separar os diferentes tipos de lixo e como fazê-lo para o bem do ambiente, e mostra-nos anúncios a convidar-nos a assistir a corridas de veículos cujos motores consomem derivados de petróleo. Para o bem do ambiente também?


Sendo certo que alguns lixos são matéria-prima para determinadas indústrias, o que temos aqui, em suma, é, nada mais, nada menos, que um jogo de interesses ao sabor dos quais os meios de comunicação nos vão tentando manipular. E conseguem porque fomos condicionados para não termos espírito crítico, para não pensarmos por nós mesmos, para não sermos racionais.

Enquanto as ditas corridas e outros actos que produzem gastos supérfluos de energia forem respeitados como coisa intocável e mantida necessária pelos meios de propaganda, não me preocuparei demasiado em reciclar, para não dizer que me estou nas tintas.


Não será astronomicamente mais urgente caminhar para o fim do consumo de petróleo do que fazer uma reciclagem em forma dos lixos?


Até o caminharmos conscientemente para a catástrofe é aproveitado até à última gota pelo sistema económico que tem espremido o planeta até à exaustão; e é de exaustão que se trata quando a situação não tiver mais remédio.


Um enorme bem-haja a todas as religiões, sistemas filosóficos e ideologias políticas que tanto têm contribuído para a nossa bendita irracionalidade!


Decididamente, isto não é um mundo em que um ser humano, mentalmente saudável e consciente, tenha prazer em viver.

Quanto a isso um Papa responderia que viemos ao mundo para sofrer e se alguém tiver a sorte de escapar ele lá está com todo o peso do seu staff para resolver o problema.


Ajoelhem e façam peregrinações a ver se resulta, mas não apenas a Fátima e sim durante todos os quilómetros da vossa vida.


Amen!



Sunday, November 09, 2008

Madrasta/Mãe



Madrasta

─ Mamã, tu és trabalhona!

A mãe, furiosa, largou uma bofetada na filha:

─ Não se chama trapalhona à mãe, toma, que é para aprenderes!

A menina, com pouco mais de três anos, encolheu-se num canto a chorar, balbuciando timidamente:

─ Eu não disse trapalhona eu disse tra-ba-lhona, por andares sempre a trabalhar.

Caindo em si, arrependida, a mãe pediu desculpa à filha, mas o mal estava feito.

Porque cada um de nós é a memória acumulada das suas experiencias do passado, principalmente as da infância, seremos aquilo que tivermos vivido, para o bem e para o mal.


Mãe

─ Mamã, tu és trabalhona!

A mãe ficou surpreendidíssima quando a filha, um dia, lhe saiu com aquela exclamação.

De início entendeu «trapalhona», mas, antes de tomar uma atitude, manteve a calma e procurou esclarecer o motivo de a filha lhe chamar trapalhona, uma vez que não costumava usar de mentiras para a convencer de qualquer coisa. Por feitio e por princípio, achava que isso seria um mau precedente para a confiança futura e ela acabaria por descobrir a verdade, mais cedo ou mais tarde.

De repente, acudiu-lhe ao espírito que ela tinha aprendido a palavra nova na escola e que não lhe conhecia muito bem o significado, por isso não poderia ser ofensiva a intenção, mas apenas ensaio e aprendizagem.

Então decidiu perguntar-lhe porque lhe chamava trapalhona e ela respondeu:

─ Não é trapalhona é trabalhona. Tu fazes tudo aqui em casa e ainda trabalhas com a L (a colega de emprego da mãe) e tens pouco tempo para brincar comigo.

Ainda por cima, a menina tinha inventado uma palavra que não existia.

A mãe, de queixos caídos pela intervenção observadora da filhota que ainda nem tinha quatro anos, conseguiu dizer:

─ Pois é, B. e tu ajudas a mãe?

─ Ajudo! ─ foi a resposta imediata.

As crianças são surpreendentes e aquela é a fase em que querem saber tudo e em que os pais terão tanto a ensinar-lhes como a aprender com elas.

Depois a mãe ficou pensar: “Se eu tivesse reagido bruscamente pela suposta ofensa, teria sido péssimo e não sei como me perdoaria.”

Nunca devemos ser injustos com as crianças; elas têm o direito de ser ouvidas e esclarecidas se disserem algo de errado, porque, afinal, nada é maldade, mas apenas aprendizagem por tentativa e erro, e é a fase mais bela da vida.

Os pais não a devem perder e muito menos estragar com intervenções infelizes, tomadas intempestivamente. Elas confiam neles para as ajudarem a crescer livres e felizes e, quando essa confiança é, de algum modo, continuamente traída é que a «maldade» aparece.



Tuesday, May 13, 2008


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Monday, August 27, 2007

Dedicação de uma Cadela


António e Jesuína, viviam da agricultura no tempo do Salazar.
Cultivavam as suas próprias terras que, à custa de muito trabalho, lhes davam tudo o que era necessário para pouco mais que sobreviver. Ainda assim, para os padrões da época e da aldeia, podia-se dizer que eram lavradores abastados: vendiam os excedentes de batata, milho, feijão, leite e vinho e possuíam duas vacas amarelas, a força de tracção para o trabalho, e duas vacas turinas que forneciam o leite, uma das «riquezas» da casa.
As três filhas que conseguiram criar, mal atingiram a idade da razão passaram a ser mão-de-obra para as exigências do trabalho, mas fizeram a instrução primária até à quarta classe.
Não havia protecção de menores, direitos das crianças, segurança social. Para tudo, o núcleo familiar era competente, protector e soberano e tinha de se bastar a si mesmo com as poupanças que conseguia juntar.
E o mundo era limitado pelas paredes da casa e pelos limites da aldeia.
Por alturas em que a filha mais velha já namorava, possuíam uma cadela muito dedicada e meiga, que acompanhava as raparigas quando iam tomar conta do gado a pastar em algum dos terrenos que lhes pertenciam.
Um dia foram as três e o namorado da mais velha tomar conta das vacas para um terreno mais distante de casa e, como de costume, a cadela acompanhou-os abanando a cauda de alegria.
No regresso a casa, ao fim da tarde, deram por falta da cadela e nenhuma sabia o que lhe tinha acontecido.
Não a foram procurar porque ela conhecia muito bem o caminho e esperavam que acabasse por aparecer.
Mas os dias iam passando e nada da cadela aparecer. Não sabiam o que pensar e decidiram que teria tomado outro rumo por algum motivo ignorado.
Quase duas semanas depois, voltaram a ir com as vacas para o mesmo terreno e, ao aproximarem-se do sítio, apareceu-lhes a cadela, magra, cheia de fome, o pelo a cair, em suma, muito feia da privação de alimentos, mas ainda assim, com energia bastante para manifestar a enorme alegria que sentia por ver de novo as donas.
Ela agitava-se parecendo chamar as raparigas para um determinado local do terreno. Perante a insistência do animal, uma das irmãs resolveu segui-la a ver o que ela queria, e qual não foi o seu espanto quando, ao chegar ao local, viu o casaco do namorado da mais velha esquecido no chão com sinais evidentes de a cadela ter dormido em cima dele.
Foi então que entendeu tudo. Chamou as duas irmãs e mostrou-lhes a peça de roupa.
Nem o rapaz que tinha tirado o casaco da outra vez, se tinha lembrado mais dele e a cadela tinha permanecido aquele tempo todo a tomar conta do objecto que, para ela, pertencia às donas.
Muito debilitada pelos muitos dias sem a satisfação das suas necessidades nutritivas, ficou doente, mal podia comer já, e acabou por sucumbir perante o desgosto enorme das raparigas que nunca mais a conseguiram esquecer.

Esta história foi verídica e passou-se na família do autor há uns anos atrás.

Monday, June 18, 2007

Sensualidade


O Amor só é belo quando o deixamos viver em Liberdade!

Friday, June 15, 2007

Rosas Rosa


Cada um dá aquilo que tem!

Thursday, March 15, 2007

O Elefante do Circo

Quando eu era menino, todos os anos pelo Natal, acampava um circo na minha cidade, que enchia de sonho e de luz o coração das crianças.
Lembro-me de que o meu avô me levava lá muitas vezes pela mão, mesmo fora das horas de actuação, porque eu adorava ver os animais que eles tinham para os espectáculos. Eram os leões, os macacos e um elefante.
O que me prendia mais a atenção era precisamente o elefante, animal enorme comparado comigo criança ainda. Eu olhava para ele e ficava a pensar se um dia não fugiria dali para ganhar a liberdade, farto, como eu achava que ele devia estar, de ter permanecido preso por tanto tempo. Eu gostava muito de liberdade e pensava que os animais eram iguais nós, com os mesmos gostos e os mesmos sonhos. Afinal ele estava preso apenas por uma pequena corrente a uma frágil estaca que não deveria ser obstáculo difícil de transpor para quem devia ter tanta força.
Durante muitos dias andei a pensar naquilo, até que me atrevi a perguntar aos miúdos mais velhos do que eu sobre os motivos pelos quais o elefante não fugia. Eles respondiam-me as coisas mais diversas, desde «não faço ideia e quem se importa com isso?», até disparates tais como «ele achava que estava bem assim e por isso não fugia»
Como nada disto me satisfazia comecei a perguntar aos adultos e também nenhum deles me soube responder.
Os anos passavam e o elefante voltava sempre com o circo. Entretanto eu já andava na escola. Numas férias do Natal fui dar uma volta sozinho pelas vizinhanças do circo e o elefante lá estava sempre preso a uma fina estaca de madeira. “Como é que ele tão grande, com tanta força, não se libertava? Só podia ser porque não queria libertar-se ou nem sequer pensava nisso. Mas porquê? A liberdade não será tão importante para os elefantes quanto o é para nós?»
As férias tinham acabado e com elas o circo foi-se embora. Foi quando me lembrei de fazer a pergunta ao meu professor, pessoa que eu achava que sabia tudo.
O professor ouviu a minha pergunta com muita atenção e pediu-me uns dias para pensar.
Disse-me que a pergunta era inteligente, que envolvia ideias importantes e que não queria responder-me precipitadamente sem ter a certeza do que dizia. Passaram-se alguns dias até que, no fim duma aula, o professor me chamou para falar comigo sobre o problema do elefante do circo e disse:
“Sabes! Tenho andado a pensar na tua questão e não encontro para ela outra resposta que não seja esta: certamente o elefante foi criado de pequenino no circo e desde o início amarrado a uma estaca pequena, mas que, para o tamanho dele na altura, era suficiente para o segurar. Provavelmente tentou muitas vezes adquirir a liberdade puxando com todas as suas forças pela corrente que o prendia, mas como era pequeno não tinha capacidade bastante para arrancar a estaca. Ao fim de algumas tentativas acabou por desistir de ideia de se libertar e habituou-se a estar preso. Agora é adulto mas já não tenta libertar-se porque continua com a sensação de que não vai conseguir. E assim os donos sabendo isso não se preocupam em prendê-lo a uma estaca mais forte, porque sabem que ele não fugirá.»
Esta explicação, embora não a tenha entendido completamente naquela idade, pareceu-me ser a única que devia de estar correcta. Muitos anos mais tarde, quando percebi que aquela história do elefante preso se aplicava aos homens, é que me dei conta do alcance das palavras do meu professor.


Este conto, aqui reproduzido em palavras minhas, embora preservando a ideia básica original, é uma adaptação livre de um texto lido em «Déjame que te Cuente» da autoria do Psicoterapeuta e Escritor Argentino Jorge Bucay.

Monday, February 12, 2007

O 11 de Fevereiro de 2007

Congratulamo-nos, não por ter sido a vitória do nosso voto, mas pela vitória das mulheres portuguesas no sentido da liberdade.
Foi um parto demorado e doloroso, antes feito abortar pelos «defensores da vida», quantos deles(as) inconscientes daquilo que verdadeiramente estava em causa …
São sempre os escravos, aqueles que mais dificuldades têm em reconhecer a sua própria escravatura e, por isso mesmo, em lutar contra ela.
O aborto é um mal, estamos de acordo! Mas deixamos à liberdade de cada um(a), conforme a sua situação, decidir o que de melhor tem a fazer sem nos intrometermos na sua vida.
Todo o nosso respeito também para os defensores do não, que têm agora uma oportunidade única de mostrarem aos outros a sua coerência, honestidade e entrega totais pela causa que defenderam, impedindo as mulheres de abortarem, pela criação das condições psicológicas, sociais e económicas necessárias para que cada grávida possa ter a possibilidade de criar o seu filho em condições de dignidade e desafogo, sem precisar de recorrer a medidas extremas.
Sim, este é o momento ideal para os defensores do não mostrarem a sua superioridade, a superioridade dos seus ideais. Porque é muito fácil escondermo-nos atrás de uma lei impeditiva e depois ficarmos a tratar das nossas vidinhas, de consciência tranquila porque fizemos a escolha correcta, e não nos preocuparmos mais com quem sofre uma gravidez que não pode levar até ao fim pelas mais variadas razões.
Não percam esta oportunidade, e terão o nosso eterno respeito e agradecimento, caso contrário ficaremos a suspeitar das vossas intenções.
Também a hierarquia da igreja tem aqui a sua oportunidade de defender REALMENTE a vida, se nos quiser fazer esquecer de todo, um passado de crimes contra a mesma vida. Se não a aproveitar, a sua honestidade estará em causa e não haverá teologia que a desculpe.
A responsabilidade está do vosso lado. O sim pode ter sido uma benesse para todos! Há que a saber aproveitar!

Vamos salvar todas as vidas humanas e toda a vida na terra mudando radicalmente o nosso comportamento e as nossas relações económicas?

Friday, January 26, 2007

Vida Humana

Aqueles que estão seguros de que a vida humana se inicia no momento da fecundação, definindo-se fecundação como a combinação de um óvulo com um espermatozóide, não estaremos longe da verdade se acreditarmos que são, na maioria, cristãos convictos, seguidores da doutrina da igreja católica romana e crentes nos seus dogmas.
Lamentamos não possuir aquela segurança, porque é mais fácil viver de acordo com certezas do que na dúvida de pesquisas incessantes e deduções cansativas e intermináveis.
Pois para esses um raciocínio simples talvez comece a colocar também algumas dúvidas nos seus espíritos, e ele é o seguinte:
Maria, mãe de Jesus, concebeu virgem. Partindo do princípio de que a afirmação anterior é verdadeira, pelo menos para uma mulher e para o seu filho, históricos, a vida humana começou num óvulo e, se aconteceu com uma, nada nos impede de acreditar que possa ter acontecido e que aconteça com outras mulheres. Então aqui, notoriamente, a vida começa no óvulo (Em algumas outras espécies isso acontece). Se assim é, qualquer raspagem intra-uterina deveria ser considerada criminosa, por ser um atentado contra uma vida humana.
O mesmo se diria, por coerência, a propósito do desperdício deliberado de espermatozóides.
Infelizmente só temos notícia histórica de uma concepção naqueles moldes. E quanto a concepções a partir de espermatozóides, não existe nenhum.
Histórias da carochinha? Também achamos que sim. Mas elas mostram-nos que, ou somos coerentes nas nossas crenças ou o melhor será não aceitarmos verdades apriorísticas da razão, porque simplesmente acreditar, nunca foi critério seguro da verdade.

É certo que a definição de inicio da vida tem de ser estabelecida à priori para ser seguida por todos, e não deixada ao critério de cada um, numa sociedade «altamente organizada».
Então, se não podemos ter a certeza de nada, estabeleçamos um princípio que o bom senso nos diga que é o melhor para todos e não apenas para alguns, porque, no fundo, é exactamente disso que se trata. E, quando falamos de todos não estamos a incluir óvulos, nem espermatozóides, nem ovos.

A defesa da vida vai muito para além de defender o desenvolvimento de um ovo no interior de um útero:
Ela passa por respeitarmos em cada bebé que nasce, a sua espontaneidade natural.
Ela passa por respeitarmos os direitos naturais das crianças e isso significa que não somos donos delas, que são seres livres e que não temos o DIREITO de lhes impormos regras contrárias à sua natureza. Porque essa natureza é deus e estaremos a assassinar deus se o fizermos.
Ela passa também por assegurarmos a todas as crianças uma vida em que não lhes falte a satisfação das suas necessidades mais básicas de sobrevivência.
Ela passa por proporcionarmos às crianças um meio em que possam crescer felizes no exercício de todas as suas tendências e necessidades naturais.

Assim, e que nos perdoem os que o fazem sabendo fazê-lo, lamentamos concluir que não conhecemos ninguém, nem nenhuma instituição (excepto talvez a escola de Summerhill, na Inglaterra) que respeite a vida humana.

Nunca uma sociedade capitalista dará a todas as mulheres as condições necessárias para poderem levar até ao fim uma gravidez bem sucedida, por razões óbvias.

Tuesday, January 16, 2007

O Novo Ano!...

Porque desejamos uns aos outros um Feliz Ano Novo, se a nossa felicidade consiste, na maioria dos casos, em ter ideias e atitudes que entram em conflito precisamente com essa mesma felicidade?

Começou um novo ano que desejamos sempre seja melhor do que o que terminou, mas sempre esperamos que essa melhoria caia do céu, como o maná outrora na terra prometida, como se não tivéssemos qualquer responsabilidade na forma como cada ano decorre, nem devêssemos alterar os nossos hábitos, os nossos modos de pensar e os nossos procedimentos, para alcançarmos essa melhoria.

Os próximos anos só podem piorar: cada vez são mais frequentes as notícias dos efeitos do aquecimento global.
Mas, para dar apenas um exemplo, continuamos a adorar inúteis competições de veículos que queimam combustíveis fósseis. No Lisboa-Dacar os nossos meninos-ricos, além andarem a contribuir para a degradação do planeta, levam as suas barriguinhas cheias a exibir-se perante o olhar pasmado de milhares de africanos esfomeados, mostrando-lhes como se vive bem na Europa, tão bem que se podem dar ao luxo de desperdiçar, tentando-os a emigrar para cá e depois metendo-os na prisão e correndo com eles.
Porque continuamos a alimentar um sistema que faz de nós o que quer, contra as nossas necessidades naturais, dando-nos sempre a ilusão de que somos livres de escolher?
Tão livres que permite que se organizem grupos de manipulação das vontades, do discernimento e da consciência de cada um, no caso do referendo sobre a despenalização do aborto?
Porque não deixam cada um de nós pensar em paz, discernir por si mesmo, em liberdade e sem influências externas? Com que direito nos fazem isso? Com que interesse?
Com o interesse de quem tem medo de que um dia a mulher consiga libertar a sua sexualidade natural, os homens comecem a ser livres e não mais seja possível uns poucos usarem os restantes para o seu próprio enriquecimento.
Se nos preocupamos com a vida humana e há tantas crianças necessitadas a precisarem de ajuda porque não nos dedicamos a elas?
Os poderes religiosos que revelam um tão enorme zelo na defesa da vida, quando se trata do aborto, desfazem-se por acaso das suas riquezas para evitar que todos os segundos morram crianças de fome em algum lugar da terra?
Eles não defendem a vida, como nos querem fazer acreditar!
Se o fizessem procurariam impedir com que os seus seguidores participassem de organizações criadas para matar. Ora, nunca nas nossas consciências foi colocada em questão a validade de um serviço militar. Pelo contrário, as religiões têm estimulado e patrocinado guerras.
Eles não defendem a vida; eles opõem-se a tudo o que se relacione com a libertação da sexualidade natural e sabem porque o fazem.

Assim mantêm uma humanidade psicologicamente doente e infeliz, que continua a transmitir aos filhos essa doença de que padece e é a causa de todos os males que ela mesma deplora, mas não sabe porque acontecem nem como os evitar.
É neste deserto interior que as ideologias religiosas encontram terreno fértil.

Vivemos uma época de tão grande desenvolvimento científico e tecnológico e a irracionalidade continua a dirigir o mundo!

Ainda há pais que por medo, vaidade, ou snobismo, mas sempre «boa intenção» e ignorância, enviam os seus filhos para escolas privadas, caras, para que as suas mentes sejam formadas no cadinho da irracionalidade fascista, muitas vezes sem terem consciência disso.

Defendemos a penalização do aborto em nome da vida humana e mantemos todas as outras formas de repressão e anulação da mesma vida. Onde está a nossa pretensa moralidade e coerência?
O que é a VIDA HUMANA afinal?

Vamos imaginar por momentos que éramos mamíferos ovíparos.
Seria obrigatório a mulher chocar cada ovo «galado» sob pena de ser acusada de prática de aborto e atentado contra a vida humana? Ou poderíamos livremente fazer omeletas?
Num ovo de galinha, por exemplo, em que momento começa a vida de um pinto,
quando o óvulo se combina com o espermatozóide ou no inicio do choco?
Se os galináceos tivessem uma moral de defesa das suas vidas como seria ela?

Pensar que a vida humana começa no momento da fecundação não passa de uma opinião sem bases científicas rigorosas e, portanto, não temos o direito de a impor aos outros. E assim, se eu votar contra a despenalização, é isso mesmo que estou a fazer: a arrogar-me um direito que não tenho.
Poderíamos considerar que a vida começa na bolsa seminal e no ovário quando um espermatozóide e um óvulo ficam prontos para a fecundação. Quem, ou o quê, nos poderiam impedir? Nenhum conhecimento científico, certamente, por mais que alguns, por motivos inconfessáveis, o afirmem.
Enquanto não estabelecermos uma definição científica rigorosa sobre o que é a Vida Humana e o momento exacto do seu início, de um modo que todos percebam e aceitem sem imposição externa, as opiniões a esse respeito não passarão disso mesmo.

Assim, seja qual for a nossa opinião sobre o momento em que começa uma vida humana, devemos votar a favor da despenalização.

Parece-nos bem claro que o que está em causa não é a vida humana mas a sexualidade, que a igreja e outras ideologias de classes dominantes, querem que continue submetida às suas regras, porque, se um dia a sexualidade natural se libertar do jugo de milhares de anos de escravidão, não mais será possível obrigar ninguém a proceder, nomeadamente trabalhar, contra os seus próprios interesses e em proveito de outras classes sociais.
Há muito que isto é sabido de quem manipula as consciências alheias em seu proveito.

Porque se fala sempre em defender a vida humana e não em respeitar a natureza?
O aborto não será falta de respeito pela natureza?
Pois é, mas aí teríamos muito mais para dizer, estando todos, sem excepção, atolados em desrespeito sistemático e continuado pela vida, com perfeita (in)consciência disso.


Será que queremos mesmo um ano melhor?
Os anos só começarão a ser melhores quando melhorarmos o mundo e isso só será viável se nos melhorarmos a nós mesmos.

Existe uma escola que daria esperança ao mundo, privada também, algures em Inglaterra:
http://www.summerhillschool.co.uk/
Mas não tem servido de exemplo aos estudiosos do ensino, pedagogos, psicólogos, nem aos políticos, porque ela se propõe criar, não cidadãos submissos, mas seres humanos livres, racionais, sem medos, capazes de pensar pelas suas cabeças.
Aos estados, superstruturas do capitalismo, apenas interessa formatar as crianças no sentido de as transformar em peças úteis e obedientes (pela angústia da liberdade natural perdida) da máquina de produção, para benefício de alguns, e assim não fomentam nem patrocinam a proliferação desse tipo de escolas.
Que seria das classes sociais dominantes se cada um de nós começasse a pensar por si próprio e fosse capaz de agir livremente?
Quando um politico, ou um padre, nos vem dizer, a propósito da violência juvenil, nomeadamente nas escolas, que é preciso incutir nas crianças os valores necessários a uma vida social sem conflitos, o que eles querem dizer é que é preciso obrigá-las a aceitar as normas impostas pelos senhores do mundo, que são contrárias à natureza humana e geradoras de mais angústia e conflitos.

Apesar de tudo existem uns poucos de homens e mulheres que, com o exemplo da sua vida, as suas descobertas, a divulgação das suas ideias, vão tentando despertar em nós aquelas verdades adormecidas.

Por exemplo, A. S. Neil, fundador da Summerhill School, e o poeta Libanês Gibran Kahlil Gibran (1883 – 1931) que, num belíssimo e inesquecível texto, resumiu tudo o que precisamos de saber para criarmos um filho:

Os Filhos

Uma mulher que carregava o filho nos braços disse: "Fala-nos dos filhos."

E ele falou:

Vossos filhos não são vossos filhos.
São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma.
Vêm através de vós, mas não de vós.
E embora vivam convosco, não vos pertencem.
Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos,
Porque eles têm seus próprios pensamentos.
Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas;
Pois suas almas moram na mansão do amanhã,
Que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.
Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós,
Porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados.
Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas.
O arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com toda a sua força
Para que suas flechas se projectem, rápidas e para longe.
Que vosso encurvamento na mão do arqueiro seja vossa alegria:
Pois assim como ele ama a flecha que voa,
Ama também o arco que permanece estável.

Do Livro «O Profeta» de GIBRAN KAHLIL GIBRAN

Tenhamos esperança, mas façamos por isso!

Friday, September 15, 2006

Quero Ser Um Televisor

A professora Ana Maria pediu aos alunos que fizessem uma redação e nessa redação o que eles gostariam que Deus fizesse por eles.
À noite, em casa, corrigindo as redações, ela depara com uma que a deixa muito emocionada. O marido, que entra nesse momento e a vê a chorar, pergunta:
"O que aconteceu?"
Ela responde:
"Lê".
É a redação de um menino.

"Senhor, esta noite te peço algo especial: me transforme num televisor.
Quero ocupar o seu lugar. Viver como vive a TV de minha casa. Ter um lugar especial para mim, e reunir minha família ao redor...
Ser levado a sério quando falo... Quero ser o centro das atenções e ser escutado sem interrupções nem questionamentos.

Quero receber o mesmo cuidado especial que a TV recebe quando não funciona. E ter a companhia do meu pai quando ele chega em casa, mesmo que esteja cansado.
E que minha mãe me procure quando estiver sozinha e aborrecida, em vez de ignorar-me. E ainda que meus irmãos "briguem" para estar comigo.
Quero sentir que a minha família deixa tudo de lado, de vez em quando, para passar alguns momentos comigo.

E, por fim, que eu possa divertir a todos.
Senhor, não te peço muito...
Só quero viver o que vive qualquer televisor!"

Naquele momento, o marido de Ana Maria disse: "Meu Deus, coitado desse menino. Nossa, que coisa esses pais".

E ela olha e responde: "Essa redação é do nosso filho".


PS <> Talvez valha a pena ler outra vez...

Texto recebido por e-mail num forward.

Saturday, April 29, 2006

Os Filhos

Uma mulher que carregava o filho nos braços disse: "Fala-nos dos filhos."
E ele falou:

Vossos filhos não são vossos filhos.
São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma.
Vêm através de vós, mas não de vós.
E embora vivam convosco, não vos pertencem.
Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos,
Porque eles têm seus próprios pensamentos.
Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas;
Pois suas almas moram na mansão do amanhã,
Que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.
Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós,
Porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados.
Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas.
O arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com toda a sua força
Para que suas flechas se projetem, rápidas e para longe.
Que vosso encurvamento na mão do arqueiro seja vossa alegria:
Pois assim como ele ama a flecha que voa,
Ama também o arco que permanece estável.

Do Livro «O Profeta» de GIBRAN KAHLIL GIBRAN

Monday, April 18, 2005

Livre Pensador

Há algum tempo recebi um convite de um colega para servir de árbitro na revisão de uma prova. Tratava-se de avaliar uma questão de Física que recebera nota zero. O aluno contestava tal conceito, alegando que merecia nota máxima pela resposta, a não ser que houvesse uma "conspiração do sistema" contra ele. Professor e aluno concordaram em submeter o problema a um juiz imparcial, e eu fui o escolhido. Chegando à sala do meu colega, li a questão da prova, que dizia: "Mostre como se pode determinar a altura de um edifício bem alto com o auxilio de um barómetro."

A resposta do estudante foi a seguinte: "Leve o barómetro ao alto do edifício e amarre uma corda nele; baixe o barômetro até a calçada e em seguida levante, medindo o comprimento da corda; este comprimento será igual à altura do edifício." Sem dúvida era uma resposta interessante, e de alguma forma correcta, pois satisfazia o enunciado. Por instantes vacilei quanto ao veredicto. Recompondo-me rapidamente, disse ao estudante que ele tinha forte razão para ter nota máxima, já que havia respondido à questão completa e correctamente.

Entretanto, se ele tirasse nota máxima, estaria caracterizada uma aprovação num curso de física, mas a resposta não confirmava isso. Sugeri então que fizesse uma outra tentativa para responder à questão. Não me surpreendi quando meu colega concordou, mas sim quando o estudante resolveu encarar aquilo que eu imaginei lhe seria um bom desafio. Segundo o acordo, ele teria seis minutos para responder à questão, isto após ter sido prevenido de que a sua resposta deveria mostrar, necessariamente, algum conhecimento de física.

Passados cinco minutos, ele não havia escrito nada, apenas olhava pensativamente para o forro da sala. Perguntei-lhe então se desejava desistir, pois eu tinha um compromisso logo em seguida, e não tinha tempo a perder. Mais surpreso ainda fiquei quando o estudante anunciou que não havia desistido. Na realidade tinha muitas respostas, e estava justamente escolhendo a melhor. Desculpei-me pela interrupção e solicitei que continuasse. No momento seguinte ele escreveu esta resposta: "Vá ao alto do edifico, incline-se numa ponta do telhado e solte o barômetro, medindo o tempo t de queda desde a largada até o toque com o solo.

Depois, empregando a fórmula h = (1/2)gt^2 , calcule a altura do edifício." Perguntei então ao meu colega se ele estava satisfeito com a nova resposta, e se concordava com a minha disposição em conferir praticamente a nota máxima à prova. Concordou, embora sentisse nele uma expressão de descontentamento, talvez inconformismo. Ao sair da sala lembrei-me que o estudante havia dito ter outras respostas para o problema. Embora já sem tempo, não resisti à curiosidade e perguntei-lhe quais eram essas respostas. "Ah, sim!" - disse ele - "há muitas maneiras de se achar a altura de um edifício com a ajuda de um barômetro".

Perante a minha curiosidade e a já perplexidade de meu colega, o estudante desfilou as seguintes explicações. "Por exemplo, num belo dia de sol pode-se medir a altura do barômetro e o comprimento de sua sombra projetada no solo, bem como a do edifício". Depois, usando-se uma simples regra de três, determina-se à altura do edifício. "Um outro método básico de medida, aliás bastante simples e directo, é subir as escadas do edifício fazendo marcas na parede, espaçadas da altura do barômetro. Contando o número de marcas ter-se-á a altura do edifício em unidades barométricas".

Um método mais complexo seria amarrar o barômetro na ponta de uma corda e balançá-lo como um pêndulo, o que permite a determinação da aceleração da gravidade (g). Repetindo a operação ao nível da rua e no topo do edifício, tem-se dois g's, e a altura do edifício pode, em princípio, ser calculada com base nessa diferença. "Finalmente", - concluiu, - "se não for cobrada uma solução física para o problema, existem outras respostas. Por exemplo, pode-se ir até o edifício e bater à porta do síndico. Quando ele aparecer diz-se: "Caro Sr. síndico, trago aqui um ótimo barômetro; se o senhor me disser a altura deste edifício, eu lhe darei o barômetro de presente.".

A esta altura, perguntei ao estudante se ele não sabia qual era a resposta 'esperada' para o problema. Ele admitiu que sabia, mas estava tão farto com as tentativas dos professores de controlar o seu raciocínio e cobrar respostas prontas com base em informações mecanicamente arroladas, que ele resolveu contestar aquilo que considerava, principalmente, uma farsa. "Não basta ensinar ao homem uma especialidade, porque se tornará assim uma máquina utilizável e não uma personalidade. É necessário que adquira um sentimento, um senso prático daquilo que vale a pena ser empreendido, daquilo que é belo, do que é moralmente correcto"

Albert Einstein

Sunday, February 27, 2005

COMO NASCE UM PARADIGMA

Um grupo de cientistas colocou cinco macacos numa jaula, em cujo centro puseram uma escada e, sobre ela, um cacho de bananas.

Quando um macaco subia a escada para apanhar as bananas, os cientistas lançavam um jacto de água fria nos que estavam no chão.

Depois de certo tempo, quando um macaco ia subir a escada, os outros enchiam-no de pancada.

Passado mais algum tempo, mais nenhum macaco subia a escada, apesar da tentação das bananas.

Então, os cientistas substituíram um dos cinco macacos. A primeira coisa que ele fez foi subir a escada, dela sendo rapidamente retirado pelos outros, que lhe bateram.

Depois de alguma surras, o novo integrante do grupo não subia mais a escada.

Um segundo macaco foi substituído, e o mesmo ocorreu, tendo o primeiro substituto participado, com entusiasmo, na surra ao novato.

Um terceiro foi trocado, e repetiu-se o facto.

Um quarto e, finalmente, o último dos veteranos foi substituído.

Os cientistas ficaram, então, com um grupo de cinco macacos que, mesmo nunca tendo tomado um banho frio, continuavam a bater naquele que tentasse chegar às bananas.

Se fosse possível perguntar a algum deles porque batiam em quem tentasse subir a escada, com certeza a resposta seria:

"Não sei, as coisas sempre foram assim por aqui..."

Não deves perder a oportunidade de passar esta história para os teus amigos, para que, de vez em quando, se questionem porque fazem algumas coisas sem pensar ...

"É MAIS FÁCIL DESINTEGRAR UM ÁTOMO DO QUE UM PRECONCEITO" (Albert Einstein)